Apostolo (S)Paulo de Tarso Verdadeiro ou falso profeta?

Reconstituição facial de Paulo feita pelos especialistas do LKA Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha.

Reconstituição facial de Paulo feita pelos especialistas do LKA Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha.

O Apostolo Paulo, São Paulo, ou simplesmente Saulo de Tarso é uma figura central na Bíblia, a ele são atribuídos vários livros. Ele vem de outra sucessão discipular, diferente de Pedro, fundador da Igreja Católica. O Apóstolo São Pedro foi um dos escolhidos para caminhar com Jesus, sendo originalmente um dos doze apóstolos.

Paulo, ao contrário, foi um convertido. Na realidade um Judeu ortodoxo, firme na Lei Judaica e perseguidor tenaz de todos os cristãos, incluindo claramente na Bíblia, o Apóstolo São João, e o Apóstolo São Pedro. Em  pesquisas históricas vemos que Paulo tinha o apoio do Apóstolo São Lucas, mas a clara dúvida por parte de Pedro e João. Verdade seja dita, Pedro nunca teve muito pulso para fundar uma igreja forte, ele sempre estava à espera de ser guiado por Jesus (mesmo após a ascensão ao Céus), Paulo ao contrário tomou para si o designo de levar a Igreja e o Evangelho ao mundo. É de comum acordo entre muitos teólogos, incluindo este que lhes escreve, que se Paulo não tivesse desafiado a todos e usado seu poder de controle e influências hoje não conheceríamos Jesus, ou na melhor das hipóteses o cristianismo seria uma pequena seita Judaica.

Todas as cartas ou epistolas do novo testamento foram escritas por Paulo, nela vemos seu claro poder de controle e devoção. Ele cuidava das igrejas como um empresário cuida de suas franquias. Ele assessorava os "franqueadores" por meio de cartas e visitas periódicas. Como toda franquia, o franqueador tem metas grandiosas para sua obra, no caso de Paulo era sem duvida alguma Roma, por este feito ele inclusive teve que mudar de nome para ser aceito entre os romanos. O Pai de Paulo era um homem de posses e comprou a nacionalidade romana para o filho, o antes chamado Saulo da cidade de Tarso, passou a ser chamado Paulo de Tarso. Isto sem dúvida o colocou em uma posição privilegiada, pois era um romano legitimo, e gozaria dos mesmos direitos de qualquer cidadão romano. Mas antes de chegar à sua grande meta, Roma, Paulo ganhou muita experiência em outras igrejas em outros países e cidades, como as comunidades messiânicas (Judeus que tinham uma tendência à conversão ao cristianismo) em Corinto, Éfeso, Galácia, Filipos, Colossos, Tessalônica entre outras. Isso o deu muita experiência, pois alem de converter cidades ele convertia povos como os Hebreus (antes Judeus), os gentios (geralmente Gregos) e finalmente os Romanos.

Assim como você, leitor, pode constatar grande parte destas cidades tornaram-se livros bíblicos devido às cartas que Paulo enviava a elas. Assim vem a primeira questão teológica: Seriamos nós, cristãos ou Paulinos? Uma vez que mesmo não tendo vivido ao lado de Jesus, Paulo pregava em seu nome, e criava regras para as igrejas baseadas na realidade de cada cidade, as cartas não tem um cunho de uma carta inspirada, mas sim uma carta baseada na realidade local. Especialmente as cartas escritas na Grécia, país politeísta, centrado em  Deuses com características humanas e as vezes sexuais, Paulo (ex-Judeu ortodoxo) teria se escandalizado com o que vira.

Paulo escrevendo suas epístolas. Valentin de Boulogne ou Nicolas Tournier, século XVI, atualmente na Blaffer Foundation Collection, Houston, Texas.

Paulo escrevendo suas epístolas. Atualmente na Blaffer Foundation Collection

Se tomarmos os evangelhos de Lucas e especialmente o de João, teremos uma segunda grande questão teológica: os ensinamentos de Paulo se parecem com o que os apóstolos, que estavam ao lado de Jesus, descrevem? O Jesus amoroso de João escreveria as cartas que Paulo escreveu? Devemos TUDO a Paulo, isso NUNCA deve ser negado, um homem forte e cheio de fé, que rompeu barreiras e enfrentou todos até chegar a Roma e fazer do cristianismo a religião oficial do império e posteriormente da Europa e hoje a maior religião do planeta. Mas ao lermos suas epistolas, estaríamos seguindo Jesus ou o bem intencionado Paulo?

Há ainda uma série de questionamentos sobre a vida deste grande homem, mas deixaremos para outro artigo. Vamos apenas refletir sobre estas duas questões teológicas propostas.

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